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21-07-10
Abnor Gondim
BRASÍLIA - Um total de 32 deputados federais jogou a toalha nas eleições deste ano. Não vão ser candidato a nada. Eles representam apenas 6% dos 513 parlamentares da Casa. Ainda assim, a bancada dos que desistiram cresceu quase 50% em relação a 2006, quando 22 deixaram de ir às urnas.
Ao menos quatro lideranças de ficha-limpa deixam a corrida eleitoral. Em têm em comum o fato de reclamarem do alto custo da campanha - ao menos R$ 500 mil - e não quererem pedir dinheiro a doadores. Vários se queixam do controle que as cúpulas exercem sobre os partidos. Há os que se antecipam à Lei Ficha Limpa; outros preferem aposentadoria ou projetos pessoais.
O levantamento é do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), que presta serviços a sindicatos e a associações de trabalhadores. Para o coordenador de Documentação da entidade, Antônio Augusto de Queiroz, "há algo de muito errado" quando entre os não-candidatos estão parlamentares de "estatura política, ética, moral e intelectual". Entre eles, Queiroz relaciona o líder do PPS, Fernando Coruja (SC); o ex-presidente da Câmara e co-autor da emenda dos royalties, Ibsen Pinheiro (PMDB-RS); o secretário-geral do PT, José Eduardo Cardoso (SP); e o ex-governador de Pernambuco Roberto Magalhães (DEM-PE).
"O sistema político brasileiro é superado e envelhecido", disse Ibsen Pinheiro ao DCI. "Esse sistema obriga o candidato a pedir dinheiro para financiar a campanha. Eu não quero mais isso." Ele se sente traído por não ter conseguido apoio nem do próprio partido nem do PT para fazer a reforma política com financiamento público exclusivo de campanha.
Posição coincidente é a de Cardoso: "Nosso sistema político gera uma relação promíscua entre doador e o que recebe, e é a porta de entrada da corrupção".
Mas, em vez de abandonar a política, Cardoso mergulhou na coordenação da campanha da presidenciável Dilma Rousseff (PT) e já é cotado para ser ministro da Justiça em caso de vitória.
Um ministério é o que pode ser reservado para outro petista que também trocou a reeleição pela coordenação da campanha de Dilma - o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (SP).
Em seu terceiro mandato, Coruja reclamou da "ditadura das maiorias". Segundo ele, "existe no País uma capacidade muito grande dos Executivos no sentido de cooptar, não só no Congresso, mas também em assembleias legislativas e câmaras municipais".
No quarto mandato, o deputado Roberto Magalhães lamentou o alto custo da campanha, agravado pelo veto ao uso de outdoors, uma peça mais barata.
A bancada dos desistentes conta ainda com desiludidos, caso do ex-presidenciável Ciro Gomes (PSB-CE), cuja cúpula partidária preferiu Dilma.
Outro é o deputado Vic Pires Franco (DEM-PA), com quatro mandatos. Dois vão deixar seu legado para os filhos: Nelson Trad (PMDB-MS), pai do prefeito Nelson Trad Filho, de Campo Grande; e José Mendonça Bezerra (DEM-PE), um recordista, com 11 mandatos, pai do ex-governador José Mendonça Filho, que vai concorrer à Câmara.
Um novo desafio é o que levou o ex-ministro da Saúde Alceni Guerra a trocar a reeleição pelo combate ao crack. Também da área de saúde, o primeiro-secretário da Mesa da Câmara, Rafael Guerra (PSDB-MG), preferiu voltar a coordenar cursos de pós-graduação de Medicina. |